Tu és o teu melhor investimento

 

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[No início o Yôga é dedicares um momento do dia só a ti. Começas a descobrir o teu corpo, a tua mente, as tuas limitações, e a  imensa energia que existe dentro de ti. Conquistas a força e a confiança necessárias para enfrentares os teus desafios. Descobres como é bom viver o momento, o aqui e agora. 

Depois descobres que o Yôga é muito mais que aquelas duas aulas por semana. Fazes amigos, partilhas descobertas, vês nos outros uma oportunidade de crescimento e auto conhecimento. Aprendes a cuidar de ti, da tua alimentação, do teu descanso, dos teus relacionamentos…e percebes que o Yôga é um processo de (re)conexão com o teu eu mais profundo]

 

Kákásana

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Vamos começar pelo apoio: as mãos. Existem várias formas de apoiar as mãos. Sugiro que comece pela mais simples: palma da mão no chão, com o peso do corpo distribuído pela palma da mão, dedos e pontas dos dedos (tenha o cuidado de não elevar as falanges).

O afastamento entre as mãos é o equivalente à largura dos ombros. Ao colocar as mãos no chão, estas devem estar próximas ao corpo, de forma a que os joelhos toquem nos braços bem perto das axilas e os calcanhares fiquem elevados.

Quando acomodar os joelhos nos braços procure “encaixá-los” bem e sentir que o apoio é firme e os joelhos não vão escorregar. Os braços devem estar flexionados, e o joelhos devem ficar acima dos cotovelos.

Deve manter o rosto elevado e olhar em frente. Ao fazer isto está a garantir um maior equilíbrio no kákásana.

Aos poucos comece a transferir o peso do corpo para os braços. Na  medida em  que coloca mais peso sobre os braços, os pés elevam-se gradualmente até que saem do chão. No inicio pode tentar elevar um pé de cada vez, mas o ideal é elevar os dois pés ao mesmo tempo.

Depois que conseguir executar correctamente a posição procure conquistar a permanência, ou seja, ficar cada vez mais tempo no exercício. Com uma permanência razoável vai conseguir aplicar mais consciência na respiração e no corpo, além perceber a actuação da técnica.

Com o ásana bem dominado comece a experimentar outras posições para as mãos!

 

Viva mais!

O mundo actual exige que sejamos pessoas constantemente actualizadas, dinâmicas e realizadoras. Quer seja no trabalho, na vida familiar ou social, somos constantemente confrontados com a necessidade de uma gestão adequada do tempo, um alto índice de produtividade e ainda assim conseguir qualidade nos relacionamentos interpessoais.

O Yôga proporciona-nos técnicas oriundas de tradições culturais muito antigas com as quais é possível aprender a gerir o stress, gerar vitalidade, aumentar a motivação, aprender a administrar melhor o tempo, aumentar níveis de produtividade, melhorar a qualidade do sono e ainda conseguir viver com mais alegria e boa disposição.

Numa aula de Yôga estão à sua disposição técnicas respiratórias, técnicas corporais, exercícios de descontracção muscular e mental, técnicas de concentração e meditação, entre outras.  Ao praticá-las estará a aumentar os seus níveis de energia, a desenvolver uma notável capacidade de foco e atenção além de começar a perceber com mais clareza os hábitos e atitudes que precisa renovar.

Ao praticar regularmente e por longo período de tempo conseguirá aumentar os seus níveis de consciência, intuição, criatividade, competência e agilidade em todas as áreas da sua vida.

Viva mais, mas principalmente viva melhor. Venha descobrir o que prática de Yôga pode fazer por si!

Mantra

Mantra pode ser traduzido como vocalização. Compõe-se do radical man (pensar) + tra (instrumento).Mantra pode ser qualquer som, sílaba, palavra, frase ou texto, que detenha um poder específico. Existem mantras para facilitar a concentração e a meditação, mantras para serenar e para energizar, para adormecer e para despertar, para aumentar o fôlego e para educar a dicção, para desenvolver chakras e despertar a kundaliní, etc.

O mantra é um elemento importante da cultura hindu e da prática do Yôga. Nas aulas ou nos treinos os alunos vão aprender kirtans (os mantras para extroversão) e japas (mantras para introversão e meditação).

No vídeo abaixo, o exemplo de um kirtan. No SwáSthya Yôga, os kirtans costumam ter uma natureza alegre e melódica.

Nos primeiros tempos de prática a função dos mantras é limpar as nádís que são canais subtis no nosso corpo, similares ao sistema circulatório ou ao sistema nervoso, por onde flui o prána (bio-energia). É comum que as nádís estejam parcialmente obstruídas (como ocorre com os vasos sanguíneos). O uso dos mantras permitirá a limpeza, a purificação e o perfeito fluxo do prána por tais vias. Assim o yôgin ganha dinamismo e vitalidade, necessárias ao seu desenvolvimento.
Outras funções menores podem ser observadas como a melhoria da voz, da dicção, a afinação, do ritmo, da concentração, da atenção, da memória e ainda da socialização e dinâmica de grupo.

Numa segunda instância, nas práticas de Swásthya Yôga mais avançadas, os mantras passarão a auxiliar os processos meditativos e outros estados mais avançados de consciência.

Shiva natarája nyása

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História da origem da técnica Shiva natarája nyása

Certa vez, um monge chamado Bôdhi Dharma recebeu a missão de viajar da Índia até à China para levar o Hinduísmo. Quando estava se preparando para a viagem alguém o lembrou de que, se ele fosse sem escolta militar, simplesmente não chegaria ao destino. Ele precisava transportar dinheiro, tecidos, esculturas e tudo aquilo que os bandidos do deserto desejavam.

O monge considerou que, se levasse uma escolta militar armada com a proposta de matar -o que certamente ocorreria, pois seriam atacados – estaria sendo incongruente com o princípio de ahimsá (não agressão). Por mais que fosse em nome da sua defesa, não aceitou e decidiu ir sem escolta. Porém, logo refletiu melhor: sem a escolta não chegaria na China, pois o matariam no caminho. Melhor não ir. Mas se ele não fosse, estaria se apegando à vida. Que tipo de monge era ele, que tinha medo de morrer? Aquilo se transformou num dilema ao qual estava preso, porque cada vez que chegava a uma conclusão surgia uma contrária.

Conta a tradição que, então, o monge se sentou diante da estátua de Shiva e começou a meditar e jejuar. Ficou ali meditando e meditando, não se sabe por quantos dias, sempre em jejum e olhando fixamente a imagem de Shiva. Num dado momento teve uma visão: a estátua se movia, estava dançando. E no meio de sua dança convidou o monge, que se levantou e foi dançar com Shiva por tempo indefinido. Ao concluir esta experiência, o monge sentiu-se pronto e soube que estava preparado para empreender a viagem sem escolta militar. Assim foi. Atravessou os desertos e desfiladeiros completamente desarmado.

Naquela época, a chegada de uma caravana era motivo de festa – todos foram recebê-la. Quando viram que não trazia escolta militar, cercaram o monge, ansiosos por saber como havia se defendido no deserto. Ele respondeu que com suas mãos vazias. A frase ficou tão famosa que ninguém mais estava interessado no Hinduísmo, apenas na técnica que o monge havia usado para se defender. Ele identificou a oportunidade e criou uma arte marcial. Mais tarde, quando os chineses invadiram a ilha de Okinawa, os japoneses tomaram a técnica e a aperfeiçoaram, originando uma disciplina denominada mãos vazias:o karatê.

Extraído do livro Coreografias do SwáSthya Yôga, da Professora Anahí Flores

Supera os teus limites

Dica para os meus alunos: Não fiques só a olhar, tenta, tenta de novo, tenta até conseguires…  Sem acção nada na tua vida vai mudar!

A prática diligente faz-te adquirir não só força e flexibilidade, mas também a experiência necessária para venceres os teus próprios limites.

Lifestyle Casting © Lino Silva-0516

“Numa floresta longínqua existia um pardal que passava os seus dias sentado numa árvore a observar o voo de uma águia.

A águia era forte e esplendorosa e o seu voo era perfeito e muito elegante. O pardal sonhava um dia vir a ser como a águia, mas achava que nunca iria ser capaz. Então, passava os seus dias sentado numa árvore a observar a águia.

Um dia o pardal decidiu ver a águia de mais perto e seguiu-a durante o seu voou. O pardal esforçava-se para voar mais rápido, mas mesmo assim não conseguia acompanhar o voou da águia e rapidamente esta desaparecia do seu campo de visão. Após algumas horas de esforço e já muito cansado, o pardal estava prestes a desistir quando a águia aparece muito rapidamente à sua frente e foi inevitável o choque entre os dois.

O pardal caiu desnorteado no chão e quando voltou a si, a águia estava a observá-lo. O pardal ficou com muito medo, mas mesmo assim colocou-se em posição de combate.

– Porque é que me andas a vigiar? – perguntou a águia.

– Quero ser como tu, mas não consigo. O meu voo é baixo e pouco preciso, as minhas asas são pequenas e não consigo voar à tua velocidade. Não consigo vencer os meus próprios limites. – respondeu o pequeno pardal.

– E como te sentes por não conseguir superar os teus limites? – perguntou a águia.

– Sinto-me muito triste. Tenho uma grande vontade de realizar este sonho. Todos os dias te observo a voar, mas as minhas limitações são tantas que nunca conseguirei ser como tu. – suspirou o pardal a olhar para o chão.

– E não voas? Não treinas? Ficas o dia todo a observar-me? – perguntou a águia.

– Sim. Apenas te observo. Eu gostava de voar como tu, mas é um passo grande demais para um pequeno pardal como eu. Não conseguiria suportar a força do vento, nem tenho a mesma experiência do que tu. – respondeu o pequeno pardal.

– Tu sabes que a nossa natureza é diferente, mas isso não quer dizer que não consigas voar como eu. Se fores firme com os teus objectivos e deixares que o sonho e a coragem que vive dentro de ti dê forma aos teus instintos, abrirás o caminho para que a águia que vive dentro se possa tornar real. Só tens de acreditar em ti. – respondeu a águia.

– Mas como posso eu fazer isso? – perguntou o pardal.

– Terás de treinar todos os dias. O treino vai-te dar o conhecimento, a experiência, o fortalecimento do corpo e a compreensão da técnica para que possas realizar o teu sonho. Se não levas à acção a tua vontade, o teu sonho será apenas um sonho. – respondeu a águia.“

Definições

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O Yôga não é só o que se faz na sala de prática, não é algo separado do nosso dia-a-dia. O Yôga também está nas actividades diárias, como trabalhar, estudar, divertir-se ou educar os filhos.

O Yôga é para ser vivido de maneira atenta e contínua. É um viver consciente, com atenção constante, e isso é a essência da prática, fruto do amadurecimento emocional que se conquista gradualmente.

A única regra é permanecer consciente o tempo todo, a cada acto, a cada instante. Dentro e fora da aula.