A felicidade está dentro de nós

“A alegria não está nas coisas: está em nós.” Goethe

[O fruto da meditação é o que podemos chamar de uma maneira de ser óptima ou uma felicidade autêntica, verdadeira. Essa felicidade não é constituída por uma sucessão de sensações e de emoções agradáveis. Ela não é feita de coisas, objectos ou pessoas. É o sentimento profundo de termos concretizado da melhor forma o potencial de conhecimentos e de realizações que existe em nós. A prática da meditação é uma aventura que vale mesmo a pena.]

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Wherever you go, there you are

Quantas vezes já deste por ti a dizer “eu não consigo meditar” ou “eu devo estar a fazer algo errado na minha meditação” ?

“Suspeito que muitas pessoas me colocam esta questão porque acham que toda a gente consegue meditar… menos elas. Elas querem ser reasseguradas que não estão sós, que há pelo menos mais algumas pessoas com quem se podem identificar, aquelas pobres almas que nasceram incapazes de meditar. Mas não é assim tão simples…

Pensar que se é incapaz de meditar é equivalente a pensar que se é incapaz de respirar, concentrar ou relaxar. Quase toda a gente consegue respirar facilmente. E nas circunstâncias certas, a maioria das pessoas também se consegue concentrar e relaxar.

As pessoas frequentemente confundem a meditação com o relaxamento ou algum outro estado especial que se tem de atingir. Quando se tenta uma ou duas vezes e de facto não se chega a nenhum estado em especial, então normalmente as pessoas pensam que simplesmente… não conseguem meditar.

Mas a meditação não tem que ver com sentir algo em específico.

Tem que ver com simplesmente sentir… o que se sente. Não se pretende que esvaziemos a nossa mente, ainda que a tranquilidade que acontece na meditação possa ser cultivada sistematicamente. Acima de tudo, a meditação implica deixarmos a mente ser como ela é, e sabermos algo sobre como ela está em dado momento. Não se pretende que cheguemos a algum sítio em especial, mas apenas permitir-mo-nos estar onde já estamos. Caso não consigamos entender estes argumentos, então pensaremos que somos incapazes de meditar. Mas isso são simplesmente mais pensamentos, e neste caso em específico, pensamentos incorrectos.

É verdade que a meditação requer energia e um compromisso com a nossa prática. Mas então, não seria mais correcto dizermos: “Eu não vou continuar a tentar” em vez de “Eu não consigo”? Qualquer pessoa se consegue sentar e observar a sua respiração ou observar a sua mente. E nem sequer precisamos de estar sentados. Podemos andar, estar simplesmente de pé, deitados, apenas numa perna, a correr ou a tomar banho. Mas permanecer em meditação durante pelo menos 5 minutos requer intencionalidade. Integrar esta prática na nossa vida requer alguma disciplina. Por isso quando as pessoas dizem que não conseguem meditar, aquilo que elas realmente querem dizer é que não planearão tempo para isso, ou que quando tentam, não gostam do que acontece. Não é o que elas esperavam que fosse. Não cumpre as suas expectativas.

Por isso talvez pudessem tentar de novo, desta vez deixando cair as suas expectativas e simplesmente estando atentas.”

Jon Kabat-Zinn, “Wherever you go, there you are“