É possível ter atenção plena usando smartphones e redes sociais?

Can one be mindful while being connected to social media and smartphone applications?
How does this affect our deep listening skills?

Estas foram as questões colocadas a Thich Nhat Hanh, mestre Zen de quem já falei aqui. Numa das suas sessões de perguntas e respostas em Plum Village, o carismático mestre respondeu de forma muito simples a estas perguntas.

“Acredito que a internet, os smartphones, os emails, podem nos ajudar a conectar uns aos outros, mas a comunicação tem estado mais difícil, mesmo com esses dispositivos electrónicos. Mesmo que ouçamos as notícias várias vezes ao dia, mesmo que comuniquemos uns com os outros várias vezes ao dia, isso não significa que a comunicação real seja possível. Ainda não entendemos uns aos outros. Ainda não entendemos o sofrimento e as dificuldades de nós mesmos, do outro”.
[…]
Por isso é que a atenção plena (mindfulness) é muito importante. Ajuda-nos a aliviar a tensão do nosso corpo, ajuda-nos a a encontrar-nos a nós próprios sem medo para reconhecer o  nosso sofrimento interior.”

As redes sociais realmente aumentaram a conexão, a partilha de ideias e de informação. Mas a comunicação real, profunda, aquela que realmente acontece quando há presença e interesse em ouvir o outro, em compreender o outro, essa tem-se tornado a cada dia mais difícil.

Tenho visto aqui ao meu lado adolescentes que não conseguem conversar olhos nos olhos, alunos que vêem para a aula de Yôga com o telemóvel na mão e depois saem da aula a correr para ir ver o telemóvel. Gente que não se deita sem verificar o telemóvel e acorda e a primeira coisa que faz é espreitar o que se passa nas redes sociais. Parece que deixou de existir espaço e tempo para quem está ao nosso lado e principalmente para nós mesmos.

Quais as consequências deste excesso de conexão virtual? São muitas, o vício  das redes sociais já é considerado uma dependência e tem consequências comprovadas na nossa capacidade de atenção, concentração, na qualidade dos nossos relacionamentos. Sintomas de crise de abstinência, como ansiedade, acessos de raiva, suores e até depressão quando há afastamento da rede, também são comuns.

Em muitos países europeus têm surgido retiros de detox das redes sociais e com bastante sucesso. Em Portugal já houve várias tentativas para implementar programas destes género, mas sem sucesso. Parece que os portugueses se recusam a admitir que estão viciados!

Para quem quiser entrar numa dieta virtual deixo algumas sugestões:

  1. Experimenta ter todas as semanas um dia sem net ou redes sociais.*
  2. Procura não usar os dispositivos electrónicos quando estás na companhia de amigos ou familiares. Lembra-te que o virtual pode esperar, o real não. Percebe que os momentos dos quais abres mão na vida real são bem mais difíceis de reproduzir que os virtuais.
  3. Avalia a tua necessidade de ter o smartphone ao teu lado na hora das refeições.
  4. Pratica meditação TODOS OS DIAS.

* No livro The miracle of mindfulness, Thich Nhat Hanh sugere que tenhamos um dia de atenção plena por semana. Vai muito além de eliminar o uso de internet ou redes sociais. Se tem interesse em aprofundar esta prática, veja as sugestões que são dadas no livro.

Nota: Mindfulness traduz-se como atenção plena ou atenção consciente, e não como meditação como se tem visto ultimamente em muitos artigos em revistas ou até em livros editados recentemente.

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Abastece a tua imaginação

Jim Jarmush disse: “Nada é original. Rouba de qualquer lugar que te dá inspiração ou abastece a tua imaginação. Devora filmes antigos, filmes novos, música, livros, pinturas, fotografias, poemas, sonhos, conversas aleatórias, arquitetura, pontes, sinais de rua, árvores, nuvens, luzes e sombras. Escolhe para roubar apenas as coisas que te falam diretamente à alma. Se fizeres isto, o teu trabalho (e roubo) será autêntico. Autenticidade não tem preço; originalidade não existe. E não te preocupes em esconder o teu roubo – celebra-o, se quiseres. De qualquer maneira, lembra-te sempre do que Jean-Luc Godard disse: ‘Não é de onde roubas as coisas – é para onde as levas.’” 

 Daqui: http://criacria.com/2012/02/07/andre-da-loba-ilustrador-convidado-semana-6/