Poesia nas Ruas

Quando comecei este blog tinha na ideia partilhar textos sobre Yôga e fotos de frases e poemas que encontro por aí.

Confesso que gosto de coleccionar tudo o que me chama a atenção: frases e poemas escritos nas paredes, stencils e grafitis bem produzidos, murais que fazem lembrar o tempo em que a luta política se fazia no espaço público.

Ultimamente não tenho colocado muitas fotos, por isso, em jeito de resumo aqui ficam algumas das que tirei nos últimos tempos.

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Exposição de Fotografia de Jorge Pimentel “Palavras D’Olhar”, no Museu D. Diogo de Sousa.

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Numa parede da Casa dos Coimbras. (Apesar de achar certa piada à frase, confesso que não gosto de ver isto nas paredes de um Monumento Nacional. Sim, a cada foto que tiro existe dentro de mim um debate sobre o que é vandalismo e o que é arte!)

IMG_1431Foto tirada a partir da esplanada da Spirito, enquanto bebia um cappuccino e saboreava um red velvet cupcake.

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Não me lembro 🙂

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Ao pé do Jardim de Santa Bárbara.

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Na Rua das Palhotas.

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Foto a vários caixotes do lixo, só para mostrar a criatividade que há nas ruas desta cidade.

Gosto muito destas vozes que me fazem pensar enquanto caminho nas ruas da minha cidade. São poetas, anarquistas, artistas, indignados, ou apenas gente com muita imaginação. No fundo, estas vozes que se fazem ouvir nas ruas, quebram o silêncio e a indiferença associadas aos grandes espaços urbanos.

Se quiserem ver mais fotos cliquem na categoria Poesia nas Ruas aqui do lado direito:)

 

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Viajar

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio tecto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”

Amyr Klink

Movimento

Movimento
Se tu és a égua de âmbar
eu sou o caminho de sangue
Se tu és o primeiro nevão
eu sou quem acende a fogueira da madrugada
Se tu és a torre da noite
eu sou o cravo ardendo em tua fronte
Se tu és a maré matutina
eu sou o grito do primeiro pássaro
Se tu és a cesta de laranjas
eu sou o punhal de sol
Se tu és o altar de pedra
eu sou a mão sacrílega
Se tu és a terra deitada
eu sou a cana verde
Se tu és o salto do vento
eu sou o fogo oculto
Se tu és a boca da água
eu sou a boca do musgo
Se tu és o bosque das nuvens
eu sou o machado que as corta
Se tu és a cidade profunda
eu sou a chuva da consagração
Se tu és a montanha amarela
eu sou os braços vermelhos do líquen
Se tu és o sol que se levanta
eu sou o caminho de sangue

Octávio Paz, in Salamandra.                                                                                                 Poetaensaísta, tradutor e diplomata mexicano. Recebeu o Nobel de Literatura de 1990.

A cidade está deserta

“A cidade está deserta
e alguem escreveu o teu nome em toda a parte
nos carros, nas casas, nas pontes, nas ruas
em todo o lado essa palavra
repetida ao expoente da loucura
ora amarga, ora doce
pra nos lembrar que o amor é uma doença
quando nele julgamos ver a nossa cura.”

Ouvi dizer de Ornatos Violeta com Vitor Espadinha em “um monstro precisa de amigos”

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o Mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, enfim, converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.

Luís de Camões