Tempo e resultados

Uma pergunta que quase todo o aluno iniciante me faz é : quanto tempo vou demorar para conseguir  fazer a técnica x ou para conseguir o resultado y?

O tempo que se demora para dominar uma técnica seja ela um ásana, um pránáyáma ou um exercício de meditação, depende sempre de inúmeros factores. Desde a forma física, passando pela atitude emocional, e claro  a regularidade e a intensidade com que se pratica. Tudo isso faz com que seja difícil dar uma resposta.

Mas na verdade, o tempo e os resultados não são o mais importante. Como já alguém disse: “Yoga is not about touching your toes, it is what you learn on the way down”.

Para lidar melhor com a ansiedade que tempo/resultados possam gerar observe o seguinte quando estiver a praticar:

  • Mente focada no momento presente:  observe a acção, a execução, as sensações, percepções, sem deixar que  o fluxo de pensamentos e emoções leve a sua mente para outro lugar que não a sala de prática. Mantenha-se atento, sem julgar nem criticar. Atento para conhecer, ampliar a consciência de si mesmo. É nesse ampliar diário de consciência que se conquista o Yôga. Quando a mente estiver a vaguear pelas preocupações do dia-a-dia, diga-lhe delicadamente: “agora não, agora é tempo de estar aqui”.

 

  • Pratique sem expectativas. Se o foco estiver sempre nos resultados, a prática será frustrante, pois tudo o que conseguimos fazer “agora”  é distante do resultado almejado. Delicie-se com a experiência, aproveite o caminho. Tire prazer de cada prática que faz. Estabeleça objectivos sim, até porque ter objectivos nos deixa mais motivados, mas faça isso longe da sala de prática.  Escreva os seus objectivos num caderno, mas depois arrume o caderno e vá praticar apenas pelo prazer de praticar. Depois, de tempos a tempos, volte ao caderno para anotar tudo o que conquistou entretanto e celebre! É muito bom celebrar conquistas.

 

  • Persistência  e regularidade, são as únicas coisas que podem transformar um “não consigo” num “ah consegui”!  Não falhe práticas, não invente desculpas para não praticar!

 

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Life in Syntropy

Life in Syntropy – Um pequeno documentário, genial, sobre o maravilhoso trabalho de Ernst Gotsch na Agricultura Sintrópica. Mostra como este homem conseguiu transformar 1200 hectares de área desértica num oásis de vida e abundância de alimentos, num equilíbrio perfeito entre agricultura de larga escala e eco-sistema, ao ponto de ter mudado o clima  e solo da sua propriedade!

Agricultura sintrópica – um modelo de agricultura regenerativa em que o Homem faz parte do sistema, aproveitando e cooperando com a Natureza.

É possível ter atenção plena usando smartphones e redes sociais?

Can one be mindful while being connected to social media and smartphone applications?
How does this affect our deep listening skills?

Estas foram as questões colocadas a Thich Nhat Hanh, mestre Zen de quem já falei aqui. Numa das suas sessões de perguntas e respostas em Plum Village, o carismático mestre respondeu de forma muito simples a estas perguntas.

“Acredito que a internet, os smartphones, os emails, podem nos ajudar a conectar uns aos outros, mas a comunicação tem estado mais difícil, mesmo com esses dispositivos electrónicos. Mesmo que ouçamos as notícias várias vezes ao dia, mesmo que comuniquemos uns com os outros várias vezes ao dia, isso não significa que a comunicação real seja possível. Ainda não entendemos uns aos outros. Ainda não entendemos o sofrimento e as dificuldades de nós mesmos, do outro”.
[…]
Por isso é que a atenção plena (mindfulness) é muito importante. Ajuda-nos a aliviar a tensão do nosso corpo, ajuda-nos a a encontrar-nos a nós próprios sem medo para reconhecer o  nosso sofrimento interior.”

As redes sociais realmente aumentaram a conexão, a partilha de ideias e de informação. Mas a comunicação real, profunda, aquela que realmente acontece quando há presença e interesse em ouvir o outro, em compreender o outro, essa tem-se tornado a cada dia mais difícil.

Tenho visto aqui ao meu lado adolescentes que não conseguem conversar olhos nos olhos, alunos que vêem para a aula de Yôga com o telemóvel na mão e depois saem da aula a correr para ir ver o telemóvel. Gente que não se deita sem verificar o telemóvel e acorda e a primeira coisa que faz é espreitar o que se passa nas redes sociais. Parece que deixou de existir espaço e tempo para quem está ao nosso lado e principalmente para nós mesmos.

Quais as consequências deste excesso de conexão virtual? São muitas, o vício  das redes sociais já é considerado uma dependência e tem consequências comprovadas na nossa capacidade de atenção, concentração, na qualidade dos nossos relacionamentos. Sintomas de crise de abstinência, como ansiedade, acessos de raiva, suores e até depressão quando há afastamento da rede, também são comuns.

Em muitos países europeus têm surgido retiros de detox das redes sociais e com bastante sucesso. Em Portugal já houve várias tentativas para implementar programas destes género, mas sem sucesso. Parece que os portugueses se recusam a admitir que estão viciados!

Para quem quiser entrar numa dieta virtual deixo algumas sugestões:

  1. Experimenta ter todas as semanas um dia sem net ou redes sociais.*
  2. Procura não usar os dispositivos electrónicos quando estás na companhia de amigos ou familiares. Lembra-te que o virtual pode esperar, o real não. Percebe que os momentos dos quais abres mão na vida real são bem mais difíceis de reproduzir que os virtuais.
  3. Avalia a tua necessidade de ter o smartphone ao teu lado na hora das refeições.
  4. Pratica meditação TODOS OS DIAS.

* No livro The miracle of mindfulness, Thich Nhat Hanh sugere que tenhamos um dia de atenção plena por semana. Vai muito além de eliminar o uso de internet ou redes sociais. Se tem interesse em aprofundar esta prática, veja as sugestões que são dadas no livro.

Nota: Mindfulness traduz-se como atenção plena ou atenção consciente, e não como meditação como se tem visto ultimamente em muitos artigos em revistas ou até em livros editados recentemente.

O princípio 90/10

De acordo com Stephen Covey, 10% da vida estão relacionados com o que se passa connosco e não temos controle sobre eles, já 90% com a forma como reagimos aos acontecimentos.

Yôga is...an everyday Practice to be your (1)

O que é que isto quer dizer? Realmente, não podemos evitar que o carro avarie, que o avião se atrase, que o semáforo fique vermelho, etc. Isso representa 10% do que nos sucede. Os restantes 90% serão determinados pelas nossas reacções.

Exemplo: Tu estás a tomar o pequeno almoço com a tua família. A tua filha, ao pegar na chávena, deixa cair o café na tua camisa branca de trabalho. Tu não tens controle sobre isto, mas terás sobre o que vai aconter em seguida.

Tu irritas-te, repreendes severamente a tua filha, ela começa a chorar. Depois censuras a tua esposa por ter colocado a chávena na beira da mesa e surge uma acesa discussão. Contrariado e a resmungar, vais trocar a camisa e ao voltar, encontras a tua filha  a chorar mais ainda e ela acaba por perder o autocarro para a escola. A tua esposa vai para o trabalho também contrariada e tu tens que levar a tua filha de carro para a escola. Como estás atrasado, conduzes a alta velocidade e és barrado pela polícia e multado após 15 minutos de discussão. Deixas a tua filha na escola, que desce sem se despedir de ti e ao chegar ao escritório, percebes que te esqueceste da tua mala.
O teu dia começou mal e ansioso para terminar o dia, és recebido friamente e em silêncio pela tua esposa e filha, ao chegar a casa.

Por quê teu dia foi tão mau?
1. Por causa do café?
2. Por causa da tua filha?
3. Por causa da tua esposa?
4. Por causa da multa de trânsito?
5. Por tua causa?

A resposta correta é a  número 5, pois o factor determinante foi a ausência de controle sobre o acontecido.

De outra forma:
O café cai na tua camisa. A tua filha chora e tu dizes: “Está tudo bem querida, só precisas de ter mais cuidado”.
Depois de pegar noutra camisa e na tua mala, olhas pela janela e vês a  tua filha apanhar o autocarro. Sorris e ela retribui.

Percebeste a diferença? Duas situações iguais com finais opostos. Se alguém disser algo negativo sobre ti, não leves a sério, não deixes que os comentários negativos te perturbem, reage apropriadamente e o teu dia não ficará arruinado. Simplesmente porque tu não tiveste controlo sobre o que aconteceu no pequeno-almoço. O modo como reagiste naqueles cinco minutos foi o que estragou o teu dia.

Adaptado de um texto de Stephen Covey, autor do livro “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes”

Pensa nisto, e tem uma semana fantástica!

 

I Am – Tu podes mudar o mundo

As últimas semanas têm sido pródigas em notícias sobre violência, ou bullying, como agora é moda dizer. As redes sociais e os blogs estão ao rubro com opiniões para todos os gostos. Muitas das opiniões que li, são tão ou mais violentas que os acontecimentos em si.

Pois a mim não me apetece dizer nada sobre este assunto. Falar sobre violência, partilhar violência, gera ainda mais violência.

Lembro-me muitas vezes da Madre Teresa de Calcutá. Dizem que quando ela era convidada para manifestações anti-guerra recusava sempre. Dizia que só ia manifestações a favor da paz. Ela sabia que a nossa energia deve estar no que queremos ver no mundo.

Por isso, resolvi partilhar com os meus leitores este documentário que vi há uns tempos. Chama-se I Am e foi realizado por Tom Shadyac.

Tom Shadyac, realizador de cinema, conhecido por filmes como “Ace Ventura”, “O Professor Chanfrado” ou “Mentiroso Compulsivo”, sofreu um acidente que o fez mudar de perspectiva. Pegou nas câmaras e correu o mundo para fazer duas perguntas a uma série de pessoas:

– O que é que há de errado com o nosso mundo?

– O que é que podemos fazer a respeito?

A ideia inicial era procurar o que está errado no mundo, mas acabou por mostrar o que de melhor há nele.

Preparem o sofá e as pipocas e divirtam-se!

Amar as segundas-feiras!

Segunda-feira pode ser um dia maravilhoso! No entanto, é odiado por grande parte da população.

Muitos chegam ao domingo à noite com a sensação desagradável de que o que era bom está a acabar e a tortura vai começar no dia seguinte. Esta forma de ver e sentir o dia-a-dia retira-nos muita energia e qualidade de vida.

E que tal começar a ver a segunda-feira como uma maravilhosa oportunidade de começar algo novo?

A pensar nisso escrevi este pequeno mantra:

E se eu mudar a minha vida esta semana? E se eu trabalhar em algo que gosto? E se eu experimentar algo novo? E se eu aprender algo novo?

É hora de fazer esta semana e cada semana depois dela, melhores do que todas as anteriores. E eu realmente acredito que é possível tornar-se gradualmente a melhor versão de si mesmo a cada dia que passa. É como aquele ditado:

“Não te compare com outras pessoas. Compara-te contigo, ontem. “

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Quem gosta de sistemas de organização e gestão do tempo sabe que muitos deles recomendam fazer um planeamento da semana ao domingo à noite. Eu adoro fazer isso, acho que faz toda a diferença, a semana corre sempre melhor e a segunda-feira parece mais leve.

Nos últimos 2 anos tenho  usado  o ZTD (Zen to Do) – The Simple productivity System do Leo Babauta para gerir o meus dia-a-dia. É um sistema simples bastante focado no fazer e não tanto no planeamento. São dez hábitos que devem ser adquiridos gradualmente. Há dois conceitos importantes no ZTD: as Big Rocks (grandes rochas) e as MITs (most importante taks, tarefas importantes).

As Big Rocks são os objectivos que queremos alcançar durante a semana. Devem, portanto, ser planeadas, semanalmente, não mais de 2-3 Big Rocks.

Para cada dia, devemos definir as MITs, as tarefas mais importantes que nos vão ajudar a alcançar as Big Rocks que definimos para a semana.

Com isto em mente é mais fácil fazer pequenas mudanças, concretizar objectivos, concluir projectos.

Se quiseres saber mais sobre o ZTD,  visita o site ZenHabits.

Para terminar sugiro que umas das tuas Big Rocks para esta semana seja: “Iniciar a prática de Yôga”, ou no caso de já praticares, “Não falhar uma aula de Yôga esta semana”. Planeamento é tudo!

Boa Semana!

Você quer ser feliz ou ter razão?

Ferreira Gullar, célebre poeta maranhense de São Luís, nascido em 10 de setembro de 1930 é o autor da famosa frase que, por si mesma, é uma lição de sabedoria: “Você que ter razão ou ser feliz?”

Numa entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo” ele conta que certa vez, discutiu tanto com sua esposa que num dado momento da discussão, ela se levantou e foi embora. E ele continua dizendo que em sua própria opinião, ele até ganhou a discussão. Ganhou mas não levou, pois ficou falando sozinho. Foi então que ele cunhou a frase: “Não quero ter razão. Quero ser feliz”.

Veja quanta sabedoria de vida e verdade no trato do cotidiano estão contidas nessa frase. Muitas vezes, nos embrenhamos numa ferrenha discussão sem nenhum resultado prático, nem mesmo teórico. Ficamos cheios de raiva quando alguém diz ter sido numa sexta-feira aquilo que acreditamos ter sido numa quinta. Ou somos tomados de cólera quando alguém nos contradiz dizendo que a cor do vestido da fulana é verde e não rosa. Quanta bobagem! Quanta infelicidade plantada por tão pouco!

Discussões entre casais, entre amigos, entre chefes e subordinados poderiam ser evitadas com esse simples pensamento: “Não quero ter razão. Quero ser feliz”. Que diferença faz se o vestido era verde ou rosa? Se foi na quinta e não na sexta-feira? Tirando as raríssimas exceções com possíveis consequências jurídicas, essas diferenças de percepção se levadas a ferro e fogo só servirão para nos infelicitar.

Veja quantas discussões entre empresas e seus clientes acontecem por motivos sem importância real alguma! Quantas empresas perdem clientes, fornecedores e mesmo excelentes colaboradores por desejarem “ter razão” em vez de desejarem “ser felizes”. Veja entre colegas de trabalho. Uns culpando os outros com acusações graves. Tudo para mostrar quem têm razão numa discussão. Será que vale a pena sempre lutar para ter razão ou vale mais a pena ser feliz?

Pense nisso. Sucesso!

Texto do Consultor Luiz Marins

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