Vamos meditar?

“Do your practice and all is coming”. Esta é provavelmente uma das mais famosas frases sobre Yôga. O autor é  Sri K. Pattabhi Jois, o fundador do Instituto de Pesquisa Ashtanga Yôga, em Mysore, na Índia.

Outra famosa frase famosa do mesmo autor: “One of the hardest parts about Yôga is getting on the mat.”

É mais pura verdade. Muitas vezes arranjamos as maiores desculpas/razões para não começar a nossa prática. Hoje porque não tenho tempo, amanhã porque tenho preguiça, depois de amanhã porque não apetece, e assim passam os nossos dias.

Praticar Yôga regularmente é desafiador: devido à vida familiar, trabalho, compromissos etc..E isso é normal. No entanto, praticar regularmente é fundamental. Não há nenhuma outra maneira de sentir as transformações que o Yôga proporciona ou aprender e beneficiar da prática se não a fizermos com regularidade.

A pensar nisso decidi criar o “Programa de 31 dias de Meditação”. São muitas as pessoas que falam comigo e revelam interesse/curiosidade sobre esta técnica*. Alguns têm apenas uma vaga ideia do que é meditação, outros já conhecem e já experimentaram, mas sentem dificuldade em praticar com regularidade.

O Programa de 31 dias de Meditação tem por objectivo ensinar a criar esse espaço/tempo para que a regularidade na prática venha sem esforço e sem stress para o praticante.

Os estudos científicos sobre meditação que têm vindo a publico nos últimos anos, dão conta de alterações no cérebro dos praticantes ao fim de oito de semanas de prática diária (com a duração de 20 minutos ou mais).

Não vou entrar em facilitismos e dizer que um minuto por dia chega, nem que praticar de vez em quando vai surtir efeito. Mas também não quero que ninguém desista à primeira tentativa, e por isso o Programa está pensado para que cada um possa ir evoluindo paulatinamente.

Podem ver mais detalhes deste evento aqui: “Programa 31 dias de Meditação”

*A meditação é uma prática muito antiga, com origem nas tradições orientais, estando especialmente relacionada às filosofias do Yôga e do Budismo. Contudo, esse termo também é utilizado para designar algumas práticas cultivadas por certas religiões, como o taoísmo e o xamanismo, entre outras, através do deslocamento da consciência do mundo externo para o interno. Sendo eu Professora de Yôga, vou abordar a meditação no âmbito do Yôga.

IMG_9122

Anúncios

É possível ter atenção plena usando smartphones e redes sociais?

Can one be mindful while being connected to social media and smartphone applications?
How does this affect our deep listening skills?

Estas foram as questões colocadas a Thich Nhat Hanh, mestre Zen de quem já falei aqui. Numa das suas sessões de perguntas e respostas em Plum Village, o carismático mestre respondeu de forma muito simples a estas perguntas.

“Acredito que a internet, os smartphones, os emails, podem nos ajudar a conectar uns aos outros, mas a comunicação tem estado mais difícil, mesmo com esses dispositivos electrónicos. Mesmo que ouçamos as notícias várias vezes ao dia, mesmo que comuniquemos uns com os outros várias vezes ao dia, isso não significa que a comunicação real seja possível. Ainda não entendemos uns aos outros. Ainda não entendemos o sofrimento e as dificuldades de nós mesmos, do outro”.
[…]
Por isso é que a atenção plena (mindfulness) é muito importante. Ajuda-nos a aliviar a tensão do nosso corpo, ajuda-nos a a encontrar-nos a nós próprios sem medo para reconhecer o  nosso sofrimento interior.”

As redes sociais realmente aumentaram a conexão, a partilha de ideias e de informação. Mas a comunicação real, profunda, aquela que realmente acontece quando há presença e interesse em ouvir o outro, em compreender o outro, essa tem-se tornado a cada dia mais difícil.

Tenho visto aqui ao meu lado adolescentes que não conseguem conversar olhos nos olhos, alunos que vêem para a aula de Yôga com o telemóvel na mão e depois saem da aula a correr para ir ver o telemóvel. Gente que não se deita sem verificar o telemóvel e acorda e a primeira coisa que faz é espreitar o que se passa nas redes sociais. Parece que deixou de existir espaço e tempo para quem está ao nosso lado e principalmente para nós mesmos.

Quais as consequências deste excesso de conexão virtual? São muitas, o vício  das redes sociais já é considerado uma dependência e tem consequências comprovadas na nossa capacidade de atenção, concentração, na qualidade dos nossos relacionamentos. Sintomas de crise de abstinência, como ansiedade, acessos de raiva, suores e até depressão quando há afastamento da rede, também são comuns.

Em muitos países europeus têm surgido retiros de detox das redes sociais e com bastante sucesso. Em Portugal já houve várias tentativas para implementar programas destes género, mas sem sucesso. Parece que os portugueses se recusam a admitir que estão viciados!

Para quem quiser entrar numa dieta virtual deixo algumas sugestões:

  1. Experimenta ter todas as semanas um dia sem net ou redes sociais.*
  2. Procura não usar os dispositivos electrónicos quando estás na companhia de amigos ou familiares. Lembra-te que o virtual pode esperar, o real não. Percebe que os momentos dos quais abres mão na vida real são bem mais difíceis de reproduzir que os virtuais.
  3. Avalia a tua necessidade de ter o smartphone ao teu lado na hora das refeições.
  4. Pratica meditação TODOS OS DIAS.

* No livro The miracle of mindfulness, Thich Nhat Hanh sugere que tenhamos um dia de atenção plena por semana. Vai muito além de eliminar o uso de internet ou redes sociais. Se tem interesse em aprofundar esta prática, veja as sugestões que são dadas no livro.

Nota: Mindfulness traduz-se como atenção plena ou atenção consciente, e não como meditação como se tem visto ultimamente em muitos artigos em revistas ou até em livros editados recentemente.

#4 Livros que li e recomendo – Running with the mind of meditation

Correr é o exercício para o corpo, meditar é o exercício para a mente.

Correr fortalece o coração, revitaliza o sistema nervoso e aumenta a nossa capacidade aeróbica. A corrida ajuda a desenvolver uma atitude positiva perante a vida, ensina a lidar com a dor e ajuda a relaxar.

A meditação é uma oportunidade para fortalecer, revigorar e limpar a mente. Pesquisas na área das neurociências revelam que a meditação reduz o stress, a ansiedade, a depressão, a preocupação, o medo, e aumenta a sensação de calma e felicidade.

Sabemos que o nosso corpo não está em forma quando ficamos sem fôlego ao correr para apanhar o autocarro.

Sabemos que a mente não está em forma, quando depois de um dia intenso de trabalho, emails, responsabilidades familiares, etc. ficamos irritados, mal humorados e infelizes.

Podemos correr para ficar em forma, podemos meditar para trabalhar a mente, e podemos juntar as duas coisas para um resultado surpreendente!

É isso que propõem o monge Skyong Mipham Riponche no seu livro Running With the ming of meditation.

run

Além de dicas fantásticas de como levar a meditação para a corrida, este livro ajuda a entender melhor o que é o estado de meditação.

O ingrediente secreto para trabalhar melhor

Será que o sucesso traz felicidade ou é a felicidade que traz o sucesso?

Nesta divertida TED Talk o psicólogo Shawn Achor argumenta que a felicidade é que pode levar à produtividade e ao sucesso.

“Se conseguirmos aumentar o nível de pensamentos positivos de alguém no presente, então o cérebro experiência o que chamamos agora de vantagem de felicidade, que é o vosso cérebro em modo positivo a trabalhar muito melhor do que em modo negativo, neutro ou em stress. A vossa inteligência aumenta, a criatividade aumenta, os níveis de energia aumentam. Na verdade, descobrimos que qualquer resultado melhora. O vosso cérebro em modo positivo é 31% mais produtivo do que em modo negativo, neutro ou em stress.São 37% melhores em vendas. Os médicos são 19% mais rápidos, mais precisos, a chegar ao diagnóstico correcto do que em modo negativo, neutro ou em stress. O que significa que podemos inverter a fórmula. Se conseguirmos arranjar formas de nos tornarmos positivos no presente, então os nossos cérebros vão funcionar ainda melhor à medida que somos capazes de trabalhar mais rapidamente e de forma mais inteligente.”

No final da palestra, Shawn sugere um exercício que permite reorganizar o cérebro para que trabalhe de maneira mais optimista e com mais sucesso. O exercício consiste em 5 pequenas coisas que deverá fazer todos os dias durante 21 dias:

1. Todos os dias reserve dois minutos para  anotar 3 coisas pelas quais se sente grato nesse dia.

2. Escreva num diário acerca de uma experiência positiva que teve nesse dia.

3. Faça exercício físico.

4. Pratique meditação.

5. Pratique gestos de bondade aleatórios

Emoções e a intuição

“A denominação de emoções-choque e emoções-contemplação, do professor francês M. Lacroix,  é interessante porque distingue entre duas formas muito diferentes de entretenimento e de cultura mental. A primeira, muito vulgar na nossa sociedade, baseia-se no impacto violento, que provoca sensações imediatas pela sua crueza ou porque o estímulo é fornecido com uma repetição viciante. Este tipo de emoções-choque não exigem qualquer esforço da parte do espectador, que se deixa dominar passivamente por estímulos de rápida recompensa. As emoções-contemplação, pelo contrário, requerem uma interacção activa e pessoal entre o estímulo e a pessoa que o recebe, e constituem uma bagagem cultural e estética para quem as usufrui.

As emoções-choque são geradas com os estímulos presentes nas discotecas, nas atracções de feiras, nos jogos de consolas de vídeo, na crueza dos reality-shows…Provocam emoções efémeras e dopantes e matam a sensibilidade. Um adolescente que olha para a televisão uma média de três horas por dia – uma média habitual na Europa – terá visto 40 000 assassinatos e 3000 agressões sexuais. Como não é capaz de assimilar tanta agressividade, desliga, torna-se mais passivo e diminui a sua capacidade de sentir empatia pela realidade que o rodeia.

As emoções-contemplação, em contrapartida, geram-se quando ouvimos um concerto, lemos poesia, meditamos, sonhamos, em contacto com a natureza, por meio do prazer estético…Cultivá-las provoca sentimentos e vivências interiores que são recuperáveis quando delas necessitamos. São a base de uma autêntica educação emocional. No entanto, cada dia se torna mais difícil educar para as emoções-contemplação, em parte porque pressupõem tempo e dedicação (exigem o abrandamento do ritmo), e porque o seu gozo requer uma sensibilidade e uma capacidade de abstracção que com frequência estão embotadas pelo consumo massivo de emoções-choque.”

(Excerto do livro “Bússola para navegadores emocionais” da escritora e filosofa Elsa Punset. Sem dúvida um dos melhores livros na área de inteligência emocional que já li.)

Para desenvolver a intuição é importante cultivar as emoções-contemplação. É necessário, parar, escutar, abrandar o ritmo. Não é à toa que muitos empresários de sucesso criam rotinas de pausa. Por exemplo, o lendário Jack Welch, antigo presidente da multinacional General Electric, tirava uma hora por dia para simplesmente olhar pela janela. Já o o fundador da Microsof, Bill Gates, gostava de passar algumas semanas na sua casa de campo só para pensar, chamava esses períodos  de “think weeks” . E Steve Jobs, o célebre fundador da Apple, era  praticante de meditação.

Pense nisso, tire alguns momentos do seu dia só para si. Desligue o telefone, a internet, e a televisão. Faça uma pausa, sem culpas. Ouça uma música, caminhe ao ar livre, pratique meditação, leia um livro, olhe pela janela, contemple a natureza… abrande o ritmo e deixe a intuição fluir.

IMG_1395

Como ser brilhante todos os dias

Como ser brilhante todos os dias?
Segundo Alan Watkins a resposta pode estar na nossa respiração.

Aprender a respirar de forma ritmada pode colocar-nos no caminho da alta performance em todas as áreas da nossa vida

Partilho abaixo o link para uma palestra de Alan Watkins, médico e especialista em liderança e desempenho humano.

No inicio da palestra somos levados a compreender como funcionamos. Tudo começa no corpo, na nossa fisiologia, até chegar à mente e ao comportamento. Na segunda parte da palestra, podemos ver como a respiração tem impacto nos nossos resultados.

A respiração é uma ferramenta muito importante para alterar a nossa fisiologia. Mas na verdade todas as técnicas do Yôga trabalham nesse sentido.

Para saber mais sobre respiração  sugiro os seguintes artigos:

Os ritmos respiratórios e os estados emocionais

As técnicas respiratórias e a transformação do indivíduo

Respirar bem para viver melhor

A respiração alternada e as suas propriedades

O Poder do Foco

Diálogo entre um mestre Zen* e o seu discípulo:

“Mestre, o que é Zen?” pergunta o discípulo.                                                                           “É comer quando se come, trabalhar quando se trabalha e descansar quando se descansa”, responde o mestre. ” Mas, mestre, isso é tão simples.”                                     “Sim, mas muito poucas pessoas são capazes de o fazer.”

Fazer várias coisas ao mesmo tempo significa não colocar paixão em nenhuma delas!

curso-arco-zen1

 

Notas:

Sobre a capacidade de foco e a importância de o desenvolver: Foco
Sobre a importância de fazer uma coisa de cada vez: Multitarefas ou monotarefas

 

*Zen é a denominação de uma variedade de budismo especialmente desenvolvida no Japão. Não tem nada a ver com o Yôga ou com a Índia. Por isso, não é correcto afirmar que os praticantes de Yôga são Zen, pois Zen e Yôga são filosofias diferentes com origens distintas.