Sem tesão não há solução

Muitas alunos comentam comigo o quanto gostariam de ter mais disciplina.
Disciplina para praticarem Yôga em casa, disciplina para meditarem todos os dias, disciplina para realizarem os seus hobbys preferidos, enfim a disciplina às vezes parece o segredo para resolver todos os males. Na minha opinião, o que falta muitas vezes é motivação, que também podemos chamar de paixão ou tesão!
Na década de 80 um psiquiatra brasileiro lançou um livro com o título: “Sem tesão não há solução”. Neste livro ele fala de um tipo de desejo que extrapola o sexual e é a força motivadora da vida.

Um vida bem vivida precisa de tesão por tudo, pelas pessoas, pelos lugares, pelas experiências, pelo trabalho, pelas relações, pela vida!

A sociedade actual sofre de “impotência vital”. As pessoas acordam e deitam-se todos os dias sem conseguirem realizar o seu potencial único e principalmente sem aproveitarem o prazer de estarem vivos. Vivem agarradas à internet em busca de blogs de viagens para aprenderem a viajar, dos livros de auto-ajuda em busca de uma qualquer motivação para melhorarem as suas vidas, das contas de instagram para se tornarem fits e saudáveis. Não vivem o momento, não se apaixonam pelas pequenas coisas, não apreciam o que é simples, não amam o que já têm…

“É chegado o momento de acrescentarmos ao tempo e ao espaço mais uma dimensão fundamental à vida no Universo: o Tesão,…

o estar física e emocionalmente em prontidão, alertas, atentos, disponíveis, sintonizados, sensibilizados, sensorializados, sensualizados a todos os estímulos internos e externos da vida quotidiana […]

graças a essa dimensão, nós sentimos a vida à flor da pele, podemos fazer fluir e tornar disponíveis nossos potenciais humanos e biológicos […]

Finalmente, ela nos faz criar, amar, jogar, brincar, lutar pelo simples e encantado prazer de estar vivo. […]

Hoje, perder o tesão significa também se desinteressar. Mas trata-se de um desinteresse que não é apenas mental, existencial, mas também corporal e sensorial […]

Este tesão o faz ligar-se, forte e apaixonadamente, sem necessitar nenhuma explicação consciente, a tudo o que lhe proporciona beleza, alegria e prazer. […]

É isso também que os leva a não ser, espontaneamente, nem mórbidos e nem pessimistas […]

é a principal arma que dispomos para lutar contra todas as tentativas de nos imporem as dependências, as limitações e as culpas […]

na sociedade burguesa os mortos comandam os vivos, num processo de desvivência progressiva, contra o qual, nós, os que optamos pela ideologia do tesão, temos de nos insurgir […]
Pois concordo com o pichador de parede que escreveu esta frase no muro de um cemitério em São Paulo: Sem tesão não há solução […]”

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