Olhar para dentro

Andamos pela vida em busca de um sentido.
Adquirimos bens materiais em busca de valor pessoal.
Procuramos pessoas com quem nos relacionar para amar e sentirmo-nos amados.
Tudo o que fazemos, tudo o que procuramos tem uma única razão: disseram-nos que devia ser assim. Então procuramos, ansiamos…

Quando é que paramos e olhamos para nós mesmos?
Quando é que paramos para sentir se estamos ou não confortáveis com tudo o que temos?
Quando é que paramos para escutar o nosso coração?
Se pensarmos bem estamos o tempo todo voltados para fora de nós mesmos.

“Para quê olhar para os crepúsculos se tenho em mim milhares de crepúsculos diversos - alguns dos quais que o não são - e se, além de os olhar dentro de mim, eu próprio os sou, por dentro-”

 

Então a vida torna-se um jogo, queremos o que todos querem e ainda queremos ser felizes. Como sobreviver ao jogo, sem sermos engolidos pelo próprio jogo? E como encontrar essa tal de felicidade?

É claro que precisamos de nos adequar ao sistema social e humano, afinal fazemos parte dele. Mas não nos devemos encaixar como se fossemos uma mera figura decorativa. Cada um de nós tem um potencial imenso a ser desenvolvido. Para explorarmos o nosso potencial, para desenvolvermos a nossa consciência precisamos olhar para dentro, precisamos saber quem habita o nosso corpo, precisamos perceber o que nos traz satisfação, sensação de realização.

Este olhar para dentro precisa de tempo, paciência e coragem. Dentro de nós vamos descobrir medos, mentiras, passividade, comodismo. Olhar para dentro é um processo de autoconhecimento, é recuperar a nossa honestidade inata.

Como é que fazemos isso? A meditação pode ser um caminho!

“Estamos tão habituados a olhar apenas para fora de nós que perdemos o acesso ao nosso interior quase completamente. Estamos aterrorizados em relação a olharmos para dentro, porque a nossa cultura não nos deu qualquer ideia sobre o que iremos encontrar. Podemos até pensar que se olharmos para o nosso interior, estamos em perigo de encontrarmos a loucura. Este é um dos últimos e mais engenhosos recursos que o nosso ego utiliza para nos impedir de descobrirmos a nossa real natureza.

Portanto nós tornamos a nossa vida de tal forma agitada que eliminamos o mais pequeno “risco” de olharmos para nós próprios. Mesmo a simples ideia de meditarmos parece assustar as pessoas. Quando elas ouvem a expressão “sem ego” ou vazio, pensam que experimentar esses estados vai ser como ser atirado porta fora de uma nave espacial, para um frio e escuro vazio.

Nada podia estar mais longe da verdade.

Mas num mundo dedicado à distracção, o silêncio e a quietude assustam-nos; por isso protegemo-nos com barulho e uma actividade constante. Olhar para a natureza da nossa mente é a única coisa que  nos lembraríamos de fazer.”

Sogyal Rinpoche

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4 thoughts on “Olhar para dentro

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