Emoções e a intuição

“A denominação de emoções-choque e emoções-contemplação, do professor francês M. Lacroix,  é interessante porque distingue entre duas formas muito diferentes de entretenimento e de cultura mental. A primeira, muito vulgar na nossa sociedade, baseia-se no impacto violento, que provoca sensações imediatas pela sua crueza ou porque o estímulo é fornecido com uma repetição viciante. Este tipo de emoções-choque não exigem qualquer esforço da parte do espectador, que se deixa dominar passivamente por estímulos de rápida recompensa. As emoções-contemplação, pelo contrário, requerem uma interacção activa e pessoal entre o estímulo e a pessoa que o recebe, e constituem uma bagagem cultural e estética para quem as usufrui.

As emoções-choque são geradas com os estímulos presentes nas discotecas, nas atracções de feiras, nos jogos de consolas de vídeo, na crueza dos reality-shows…Provocam emoções efémeras e dopantes e matam a sensibilidade. Um adolescente que olha para a televisão uma média de três horas por dia – uma média habitual na Europa – terá visto 40 000 assassinatos e 3000 agressões sexuais. Como não é capaz de assimilar tanta agressividade, desliga, torna-se mais passivo e diminui a sua capacidade de sentir empatia pela realidade que o rodeia.

As emoções-contemplação, em contrapartida, geram-se quando ouvimos um concerto, lemos poesia, meditamos, sonhamos, em contacto com a natureza, por meio do prazer estético…Cultivá-las provoca sentimentos e vivências interiores que são recuperáveis quando delas necessitamos. São a base de uma autêntica educação emocional. No entanto, cada dia se torna mais difícil educar para as emoções-contemplação, em parte porque pressupõem tempo e dedicação (exigem o abrandamento do ritmo), e porque o seu gozo requer uma sensibilidade e uma capacidade de abstracção que com frequência estão embotadas pelo consumo massivo de emoções-choque.”

(Excerto do livro “Bússola para navegadores emocionais” da escritora e filosofa Elsa Punset. Sem dúvida um dos melhores livros na área de inteligência emocional que já li.)

Para desenvolver a intuição é importante cultivar as emoções-contemplação. É necessário, parar, escutar, abrandar o ritmo. Não é à toa que muitos empresários de sucesso criam rotinas de pausa. Por exemplo, o lendário Jack Welch, antigo presidente da multinacional General Electric, tirava uma hora por dia para simplesmente olhar pela janela. Já o o fundador da Microsof, Bill Gates, gostava de passar algumas semanas na sua casa de campo só para pensar, chamava esses períodos  de “think weeks” . E Steve Jobs, o célebre fundador da Apple, era  praticante de meditação.

Pense nisso, tire alguns momentos do seu dia só para si. Desligue o telefone, a internet, e a televisão. Faça uma pausa, sem culpas. Ouça uma música, caminhe ao ar livre, pratique meditação, leia um livro, olhe pela janela, contemple a natureza… abrande o ritmo e deixe a intuição fluir.

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