Incenso ou um app no smartphone?

O incenso é usado há milhares de anos por motivos diversos. No contexto do Yoga e da meditação começou a ser usado com um propósito muito simples: medir o tempo. Como não havia relógios, era necessário encontrar algo que medisse o tempo de cada sessão de meditação, e o incenso servia esse propósito na perfeição.

Hoje em dia tempos uma gama variada de objectos que medem o tempo: relógios, ampulhetas, cronómetros e até smartphones com aplicações que medem o tempo.

Embora o incenso nos transporte para um ritual e todo um simbolismo, além do aroma que enche o ambiente, não é muito prático e também não é muito saudável, dado que o mercado está saturado de incenso de má qualidade e cheios de químicos nocivos à saúde.

Então, como medir o tempo quando estiver a fazer o seu exercício de meditação? Deixo aqui algumas sugestões de aplicações que podem usar no smartphone.

Meditation Helper

Aplicação muito simples e fácil de usar. Controla o tempo da sessão de meditação e permite criar perfis personalizados de meditação (por exemplo, perfil para sessão de 10 minutos, perfil para 20 minutos com toque de sino a meio da sessão etc.).

Headspace 

Esta aplicação foi criada por Andy Puddicombe, que esteve nos Himalayas e se tornou  monge budista. Nesta aplicação ele ensina a aplicar técnicas para acalmar a mente. São exercícios muito simples, por isso, a aplicação é mais adequada para quem não tem experiência de meditação ou não tem orientação de um instrutor.

i-Qi Clock

Aplicação muito fácil de usar. Controla o tempo de cada sessão de meditação e usa sons  de alta qualidade das taças Peter Hess®.

Insight Timer

Podem ser utilizada como medidor de tempo, e tem também uma biblioteca com meditações guiadas. Apresenta estatísticas das sessões de meditação (tempo, número de sessões diárias, etc.). Embora a aplicação faça bastante sucesso por causa das estatísticas, pessoalmente eu recomendo manter esta opção desligada. Acredito que é mais importante praticar meditação pelo prazer que dá e pelo bem-estar que gera do que para obter estrelas (a cada dez sessões consecutivos o praticante ganha uma estrela). É preferível fazer poucas sessões mas bem, do que muitas apenas para ter uma estrelinha.

Medite.se

Aplicação criada por Tadashi Kadomoto, tem meditações guiadas e induções. Para Tadashi, o auto-conhecimento é o cerne da transformação e a melhor forma de ajudar ao próximo. Uma pessoa que vive bem consigo, vive bem em grupo. É uma boa aplicação para quem está a iniciar-se na prática da meditação.

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Sentir-se em Casa

Comemoro este ano 13 anos de Profissão. Comecei a dar aulas de Yoga no ano de 2004. Dei aulas em várias cidades (Braga, Viana, Barcelos, V.N. de Famalicão etc.), em espaços muito diferentes, desde Health Clubs, a Escolas de Yoga, ao ar livre, a pequenos grupos, a muita gente e até aulas individuais. Em Setembro de 2008 dei início a um projecto meu, um espaço inteiramente dedicado ao Yoga. Um espaço que tem a sua história e já também já passou por várias mudanças e transformações. No final de 2014 decidi dar-lhe uma nova imagem e um novo nome, e assim surgiu a Casa do Yoga. E já lá vão 3 anos. 🙂

Porquê Casa do Yoga? Porque gosto que os meus alunos se sintam em Casa…

Como é bom e libertador sentir-se em casa! Não importa a arquitectura, o tamanho, a localização, o mobiliário…nada disso.

Para mim, sentir-se em Casa é…

Sentir-se em Casa é um doce sentimento de nos percebermos aceites e queridos da maneira que somos. É sentir que temos liberdade para nos expressarmos, sentir que temos à nossa volta pessoas que nos entendem e que nos ajudam a crescer e com as quais as horas passam a voar porque cada momento é realmente único.

Sentir-se em casa é estar bem consigo. É estar bem no seu corpo, na sua voz. É cuidar-se, amar-se, valorizar-se. É saber rir e não se levar demasiado a sério, e é também saber chorar e aceitar as próprias falhas. Sentir-se em casa é saber que damos o nosso melhor a cada momento, é sentir que o futuro está à nossa espera.

Shiva Nilakantha

Dizem as lendas que os deuses e os demónios procuraram Shiva para que este os salvasse do veneno halahala, pois apenas ele podia engolir o veneno sem se ferir. Esse veneno podia destruir toda a criação e por compaixão de todos os seres Shiva tomou o veneno. Ele não engoliu mas também não cuspiu o veneno, manteve-o na garganta e o veneno tornou-se azul. Daí em diante Shiva passou a ser conhecido como o Nilakantha, aquele que tem a garganta azul.

O veneno simboliza as emoções, e Shiva não engole o veneno, ou seja, ele não suprime as emoções nem as nega e também não as cospe nos outros ou no mundo. Ele sustenta as emoções conscientemente dentro dele e transmuta-as para a cor azul, ou seja, actua de acordo com a sua consciência e decide o que fazer com as emoções.

Existem sempre três opções para as nossas emoções: engolir, cuspir ou transmutar.
Se estivermos sensíveis e sintonizados com as nossas emoções conseguimos de forma consciente decidir o que fazer com elas. Para tomarmos consciência das nossas emoções no nosso dia-a-dia podemos verbalizá-las. Por exemplo: “sinto-me triste”, “estou ansiosa”. Devemos também observar como o corpo está a manifestar essa emoção. Este exercício simples, se praticado de forma rotineira, ajuda-nos a dissociar da emoção e coloca-nos no papel de observador. Começamos a dar-nos conta do vaivém de emoções, e a notar que algumas são fáceis de perceber e outras nem por isso.

Depois de ser capaz de reconhecer as emoções que mais surgem no seu dia-a-dia, lembre-se que sentir é diferente de agir. Por exemplo:se estou com raiva não preciso descarregar em alguém; se sinto medo não preciso de fugir. Aquilo que eu sinto não precisa ser necessariamente o que eu faço. Este é o primeiro passo para a inteligência emocional: sentir uma coisa e decidir como actuar em relação a isso e não reagir de forma automática e inconsciente. Não é fácil, e nem sempre vamos conseguir, mas siga em frente e sem culpa! O treino continuo leva à evolução.

O arqueiro e as emoções

O texto é tão bom, que que tinha mesmo que partilhar aqui. 🙂

Conta a lenda que um velho Mestre na arte do tiro com arco pediu a um discípulo para mostrar o seu progresso lançando uma flecha num alvo. O discípulo disparou com grande pontaria a flecha, que atingiu o centro do alvo. E rapidamente lançou outra flecha, que dividiu a anterior ao meio.

Com um sorriso de troça e superioridade, dirigiu-se ao Mestre, perguntou o que pensava e desafiou-o a fazer melhor.

O Mestre não hesitou; Pediu-lhe para acompanhá-lo. Escalaram uma colina e chegaram ao topo de uma montanha na qual um tronco estreito e frágil atravessava um precipício sem fim. Uma espécie de ponte precária que ligava à montanha seguinte.

O professor pediu ao aluno que repetisse o teste sobre aquela ponte. O discípulo hesitou, mas com a insistência do Mestre avançou para a ponte que oscilava ao vento. E aí lançou várias flechas, nenhum das quais atingiu o alvo.

O Mestre pediu ao discípulo – que transpirava e tremia como resultado do medo – para regressar. Uma vez que o jovem estava sobre a montanha, o Mestre subiu à precária ponte, esticou o arco e lançou uma flecha segura que atingiu exactamente o centro do alvo. E imediatamente, mais duas setas também atingiram o alvo com total precisão.

Sorrindo, ele aproximou-se do discípulo, que o olhava com constrangimento, e disse com firmeza: “O domínio da técnica de lançar a flecha e alvejar em condições ideais não revela que você está se superando como um ser humano. É apenas uma pequena parte de suas habilidades.”

Superar a dispersão causada pelas emoções é o que é realmente importante, a fim de aumentar nossa capacidade de foco e atingir nossos objectivos.

Tradução livre daqui: Blog Edgardo Caramella

Comunicação não violenta

A comunicação não violenta é uma das minhas últimas descobertas. Confesso que fiquei fascinada com esta metodologia e, por isso, decidi partilha-la aqui.

A comunicação não violenta (CNV) é um modelo dinâmico de comunicação desenvolvido por Marshall Rosenberg. A CNV ensina-nos a compreender o que se passa connosco para que sejamos capazes de nos exprimir de forma clara e eficaz. É uma maneira de comunicar que é assertiva e empática ao mesmo tempo.

Marshall Rosenberg começou por pesquisar os factores que afectam a capacidade humana de nos mantermos compassivos. Descobriu que a linguagem tem um papel crucial. E assim surgiu a CNV, na qual a forma como ouvimos e falamos (comunicação) pode permitir uma conexão maior entre as pessoas para que a compaixão possa emergir, mesmo em situações muito críticas.

O trabalho de Rosenberg foi influenciado pelas ideias de Gandhi e Luther King.  A CNV foi aplicada por Rosenberg em programas de paz no Médio Oriente, Sérvia, Croácia, Ruanda, etc..

 

Vulnerabilidade

Viver é experimentar incertezas, riscos e é expor-se emocionalmente. Mas isso não precisa ser necessariamente mau. Brené Brown, que durante 12 anos desenvolveu uma pesquisa pioneira sobre vulnerabilidade, mostra-nos que essa condição não é uma medida de fraqueza, mas a melhor definição de coragem.

Quando fugimos de emoções como medo, mágoa e decepção, também nos fechamos para o amor, a aceitação, a empatia e a criatividade. Por isso, as pessoas que se defendem a todo custo do erro e do fracasso distanciam-se das experiências marcantes que dão significado à vida e acabam por sentir frustração.
O factor vulnerabilidade revela-se decisivo para as interacções humanas, o senso de comunidade e, mais amplamente, para a capacidade humana de sentir empatia e “pertencimento”.

 

A felicidade está dentro de nós

“A alegria não está nas coisas: está em nós.” Goethe

[O fruto da meditação é o que podemos chamar de uma maneira de ser óptima ou uma felicidade autêntica, verdadeira. Essa felicidade não é constituída por uma sucessão de sensações e de emoções agradáveis. Ela não é feita de coisas, objectos ou pessoas. É o sentimento profundo de termos concretizado da melhor forma o potencial de conhecimentos e de realizações que existe em nós. A prática da meditação é uma aventura que vale mesmo a pena.]

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